Funcionários da Prevent Senior fazem protesto em frente à Alesp contra abertura de CPI para investigar empresa
04/10/2021 17:58 em Radio Gospel Online - Musicas Cristãs No Mundo

Funcionários da operadora de saúde Prevent Senior fizeram um protesto nesta segunda-feira (4) em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na Zona Sul da capital paulista, contra a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa. Leia também: Médicos da Prevent Senior relatam pressão por alta precoce de pacientes CPI vai ouvir na quinta médicos que trabalharam na Prevent A operadora de saúde especializada no atendimento a idosos é pivô de um dos maiores escândalos médicos na história do Brasil e está sendo investigada na CPI da Covid, em Brasília. Ela é acusada por ex-médicos de inúmeros crimes, dentre eles, ocultar mortes de pacientes por Covid e do uso de tratamentos ineficazes contra a doença. A Câmara Municipal de São Paulo também já aprovou a criação de uma comissão para investigar a empresa. Na Alesp, o pedido foi protocolado, mas ainda não foi aprovado. Na sexta-feira (1º), os trabalhadores já haviam realizado outra manifestação a favor da empresa. O grupo saiu da sede administrativa da operadora, no bairro do Paraíso, e caminhou até o Monumento das Bandeiras, em frente ao Parque do Ibirapuera. Nas duas manifestações, os funcionários exibiam cartazes com frases como "Eu acredito na Prevent Senior", "Prevent Senior salva vidas" e "Prevent Senior unida, jamais será vencida". Na quinta-feira (30), outro grupo protestou na região central da cidade contra a operadora, pedindo justiça pelos mortos pela Covid. Manifesto de beneficiários Na semana passada, beneficiários da Prevent Senior divulgaram um manifesto com abaixo-assinado para pedir "responsabilidade nas apurações e divulgações" contra a operadora de planos de saúde. Os apoiadores dizem que "os ataques contundentes sofridos pela Prevent Senior nos últimos dias afetarão diretamente a estabilidade da empresa e, consequentemente, a qualidade dos serviços de saúde prestados a seus usuários". O grupo pede que a imprensa, os parlamentares e o Ministério Público atuem com "maior responsabilidade nas apurações e divulgações sobre o caso, em respeito à milhares de beneficiários que poderão diretamente ser afetados". O abaixo-assinado é promovido pelo grupo "Amigos da Prevent", criado em 2012 no Facebook, e que conta com 53 mil clientes da operadora de planos de saúde. "Esse grupo existe há bastante tempo, a maioria dos integrantes é idoso e é difícil encontrar alguém ali que não considere o serviço da Prevent Senior muito bom. Quando as notícias do escândalo começaram a aparecer, todos ficaram completamente desesperados, assustados, com medo de que os hospitais sejam interditados e de que ela não possa mais prestar atendimento", continuou. Em nota, a Prevent Senior disse que respeita o manifesto dos beneficiários e pediu que fiquem tranquilos. "A empresa tem solidez e manterá a qualidade dos serviços prestados. A Prevent Senior repudia as denúncias anônimas levadas à CPI e acredita que investigações técnicas no âmbito judicial chegarão à verdade dos fatos", diz o comunicado. No começo do ano, médicos denunciaram à GloboNews que a diretoria do plano de saúde Prevent Senior os obrigou a trabalhar infectados com Covid-19 e a receitar medicamentos sem eficácia para pacientes. Depois disso, um dos médicos registrou um boletim de ocorrência em que relata ter sofrido ameaças do diretor-executivo da operadora de saúde, Pedro Benedito Batista Júnior. Agora, a CPI da Covid-19, no Congresso Nacional, investiga um dossiê que aponta que a Prevent ocultou mortes em um estudo com hidroxicloroquina, remédio comprovadamente ineficaz contra Covid. Os indícios da fraude aparecem em documentos e áudios e, segundo os documentos, houve pelo menos o dobro de mortes entre os pacientes tratados com cloroquina analisados pelo estudo. A suposta pesquisa seria um desdobramento de um acordo da operadora de planos de saúde com o governo federal, e teria resultado na disseminação do uso da cloroquina e de outros medicamentos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já descartou o medicamento para esse tipo de tratamento. A Prevent repudia as denúncias e afirma que "sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais”. O diretor-executivo do plano de saúde, Pedro Batista Júnior, foi ouvido na CPI na quarta-feira (22) e afirmou que foram os pacientes que passaram a exigir a prescrição da cloroquina, mas confirmou que a operadora orientou médicos a modificarem, após algumas semanas de internação, o código de diagnóstico (CID) dos pacientes que deram entrada com Covid-19. Além da CPI da Covid-19, no Congresso Nacional, a operadora é investigada pelo Ministério Público Federal, pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo e pela agência reguladora dos planos de saúde, a ANS. Em São Paulo, Ministério Público iniciou uma investigação ainda em março sobre a distribuição do "kit Covid" pela Prevent Senior. Após novas denúncias, o MP criou uma força-tarefa, com quatro promotores: Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, disse que os profissionais médicos e diretores da Prevent Senior poderão responder por crime contra a vida, caso fique comprovado o uso de tratamentos ineficazes contra a Covid-19 em pacientes da operadora. Documentos vazados revelam políticos e empresários de todo o mundo com offshore No Brasil, foram citados o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ambos negam irregularidades nas suas empresas mantidas no exterior.

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