Após serem quase extintos, cristãos do Iraque voltam a celebrar a Páscoa
02/04/2018 - 14h50 em Novidades

A perseguição aos cristãos hoje em dia é “pior do que em qualquer outro momento da história”, revelou um relatório recente da organização Ajuda à Igreja que Sofre.

O Iraque é considerado o “ponto zero” para a “eliminação” dos cristãos, tendo começado lá o avanço do Estado Islâmico e subsequente genocídio de todas os que não professam o Islã.

“Parece que já não havia lugar para os cristãos”, lamentou Biyos Qasha, sacerdote da Igreja de Maryos, em Bagdá. “Somos vistos como um cordeiro que pode ser morto a qualquer momento”.

 

Recentemente, descobriram uma vala comum com os corpos de 40 cristãos perto de Mosul, a antiga fortaleza do Estado Islâmico (EI) e a capital do cristianismo iraquiano. Os corpos, incluindo muitas mulheres e crianças, eram de cristãos sequestrados e mortos pelo EI. Alguns morreram pequenas cruzes, o que mostra que permaneceram fiéis até o fim. Mas nenhum grande órgão de mídia ocidental escreveu sobre essa limpeza étnica.

Um novo relatório da Sociedade Iraquiana de Direitos Humanos acaba de revelar que as minorias religiosas são agora vítimas de um “genocídio lento”, que está levando à extinção dessas antigas comunidades. Os números são significativos.

 

Segundo o relatório, 81% dos cristãos desapareceram do Iraque. O número de sabeus, uma antiga comunidade que teria raízes no movimento iniciado por João Batista, é ainda menor: 94% desapareceram do Iraque. Ao mesmo tempo, 18% dos yazidis deixaram o país ou foram mortos. A Hammurabi, outra organização de direitos humanos, disse que Bagdá tinha 600 mil cristãos em 2014; hoje existem apenas 150 mil.

Esses números podem ser a razão pela qual Charles de Meyer, presidente da ONG francesa SOS Cristãos do Oriente Médio, vem falando sobre a “extinção dos cristãos”. A maioria das igrejas foram destruídas por extremistas islâmicos. Templos católicos, ortodoxos e assírios – os ramos mais populares do cristianismo na região – foram arrasados.

O clero iraquiano recentemente advertiu que “As igrejas estão em perigo”. Ignatius Aphrem II, o patriarca ortodoxo sírio disse que há um “perigo real” que o cristianismo se torne uma “peça de museu” no Oriente Médio.

Porém, há sinais de esperança. Algumas aldeias cristãs começaram um processo lento e doloroso de reconstrução com fundos doados principalmente por organizações cristãs internacionais, como a Portas Abertas (evangélica) e a Ajuda à Igreja que Sofre (católica).

 

Primeira Páscoa desde 2014

Pela primeira vez desde que o EI praticamente eliminou a presença cristã nas planícies de Nínive, noroeste do Iraque, a cidade de Qaraqosh celebrou a Páscoa. Quatro anos depois, muitas famílias de cristãos retornaram.

Neste domingo de Páscoa (1), o padre George Jahola, um dos principais líderes religiosos da região, afirmou aos fiéis: “Como Cristo ressuscitou dos mortos, esta comunidade está ressurgindo das cinzas”.

A celebração da ressurreição de Jesus foi realizada na Igreja de Mar Behnam, prédio que durante a ocupação do EI, foi incendiado e usado como um campo de treinamento para novos terroristas. Agora, seus salões parcialmente reformados voltaram a receber os crentes.

Interior da Igreja de Qaraqosh

“Esta Páscoa é especialmente significativa para os cristãos nesta parte do Iraque”, diz George. Todos os dias da semana santa eles fizeram reuniões de oração. “Os fiéis não estão esperando que a igreja seja totalmente restaurada para adorarem a Deus e se reunirem em nome de Cristo.

Segundo o padre, “Celebrar a Páscoa aqui em Qaraqosh envia uma mensagem importante para o mundo. Cerca de um ano atrás, a cidade estava vazia. Mas as pessoas retornaram, reconstruíram suas casas e as igrejas estão cheias novamente. A vida voltou.”

Falando ao enviado de Portas Abertas, explicou: “Fomos ajudados por muitas organizações, incluindo a sua. Reparamos as casas e encorajamos a população a ficar aqui no Iraque para testemunharem de sua fé nesta terra.”

Geroge espera que o que está acontecendo em sua cidade inspire os cristãos de todo mundo a tornar sua fé “mais visível”. Ele acredita que essa é a lição mais importante em meio à perseguição “não sermos tímidos quanto à nossa fé”.

 

 

Com informações de Open Doors e Gatestone

 

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